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Branco na hora da prova?


Criado: 26/02/2019 - 07h45

Quando estou em sala, ou resolvendo questões na minha casa, eu acerto tudo, mas na hora da prova, dá branco!

Alguém aí já passou por isso?

PREOCUPAÇÃO é a palavra de hoje.


Vocábulo formado por derivação prefixal e sufixal, faz-se relevante conhecermos sua estrutura e significados.

A palavra “ocupar” do latim occupare, segundo o Dicionário Michaelis, significa:

  1. Cobrir todo o espaço; encher.

Acrescido do prefixo – “pré” – “PREocupar” (ocupar antes), segundo o mesmo dicionário:

  1. Causar preocupação a; tornar apreensivo; desassossegar, inquietar, perturbar;
  2. Prender a atenção.

Já com o sufixo – “ocupaÇÃO”:

  1. Período de tempo durante o qual tais ações se mantêm.

Enfim, podemos traduzir a palavra “preocupação” como o ato de se ocupar antes.

E a pergunta é: é possível estudar e ter um bom resultado mesmo com inúmeros pensamentos que não saem da nossa cabeça?

Por que estamos falando sobre isso?

Porque preocupação é uma semente que, se regada e cultivada, além de atrapalhar o processo cognitivo do estudante, pode trazer inúmeros outros prejuízos.

No nosso cotidiano, exercemos vários papéis sociais: somos pais, filhos, irmãos, empregados, patrões, namorados, companheiros ou cônjuges, membros de um clube ou condôminos, etc. E, na grande maioria das vezes, principalmente falando de quem estuda para concursos – somos adultos e temos obrigações de toda ordem: prestação da casa, do carro, mensalidade da escola, compra de supermercado, contas de luz, de condomínio, da internet, da assinatura de TV etc.

Some a tudo isso a expectativa depositada em você a partir do momento em que assume a condição de concurseiro.

Então, muita coisa na cabeça?

Calma, você ainda precisa aprender: português, direito constitucional, direito administrativo, informática, raciocínio lógico, segue a lista…

O problema é que o excesso de preocupação pode gerar outras consequências como a ansiedade, a depressão ou a síndrome do pânico.

A palavra “ansiedade” quer dizer estrangular, sufocar, oprimir. E esse estado possui algumas características como um alarme, uma tensão constante, uma emoção desagradável, uma sensação de colapso iminente. Algumas pessoas relatam um desconforto corporal – aperto no peito, na garganta, dificuldade para respirar…

Alguns especialistas afirmam que essas sensações estão relacionadas ao nosso passado distante, em que precisávamos desses instintos como ferramenta de sobrevivência. Para Freud (1995, p. 152), por exemplo, a ansiedade é “uma reação a uma situação de perigo”.  Segundo esse autor, a ansiedade se faz acompanhar de sensações físicas, mais ou menos definidas, que podem ser relacionadas a órgãos específicos do corpo.

Hoje, no mundo moderno em que vivemos, precisamos nos preocupar para não deixarmos de fazer ou cumprir com as coisas essenciais da nossa vida. Aliás, se não nos preocupássemos, talvez nem nos movêssemos em busca de um cargo público, de uma melhoria de vida, entretanto é muito importante reconhecermos o nível de preocupação e aprendermos a controlá-la para não acabarmos como os colegas citados no início desse texto.

Em casos moderados, a preocupação afeta a capacidade de concentração e de armazenamento do estudante.

Não sei se você já passou pela situação de estar assistindo a uma vídeo-aula ou lendo um material e se dar conta de que estava com a cabeça em outro lugar?  Ou seja – não apreendeu nada da informação disponível. Ou então de chegar a hora da prova e ficar tão preocupado se irá passar ou não que simplesmente aquele conteúdo que você achava fácil, desapareceu – deu branco? Esse era o problema do qual padecia minha ex-aluna, relatada no início desse texto.

É preciso ficar atento, pois tanto a preocupação quanto a ansiedade podem trazer consequências mais graves.

Os outros dois casos que citei inicialmente desenvolveram pânico de concursos.

Conheça um pouco da história deles. Para preservar a identidade dos dois, não relatarei nomes aqui.

A primeira, uma mulher, com idade entre 20 e 25 anos, formada em direito e decidida de que passaria em um concurso a todo o custo. Deixou de trabalhar e dedicava-se apenas aos estudos, a cobrança e a expectativa que ela depositava em si eram tão grandes que na véspera da prova – um dia antes – ela passava mal. Seu coração acelerava, tinha dificuldades em respirar, suor em abundância, as mãos ficavam frias e trêmulas. Consequência disso? Ia parar no hospital e ficava internada, ou seja, não fazia a prova.

O outro caso, um jovem, cerca de 20 anos, filho de mãe e pai servidores públicos, terminou o ensino médio e matriculou-se em um cursinho preparatório e dedicou-se exclusivamente aos estudos e não obteve êxito nos concursos prestados. Esse caso foi um pouco mais grave que o anterior – ele chagava a desmaiar quando se aproximava do local em que ocorreria o certame. Resultado: era levado ao hospital e também perdia a prova.

A situação se tornou tão grave que, somente de pegar a apostila para ler, já era acometido pelos mesmos sintomas que a nossa colega do caso anterior. Teve que parar os estudos completamente e, após um longo tratamento, voltou gradativamente a estudar.

Caso tenha se identificado com algum dos casos acima, apesar de ser uma situação de alerta, não se desespere – a boa notícia é que há solução para você.

Quando um uma pessoa busca o coaching, o profissional – coach – tem o compromisso de potencializar seu cliente – o coachee – a alcançar seus objetivos de forma ecológica. Ou seja, é importante que o coach conheça bem o seu coachee e o oriente a cumprir sua meta de uma forma saudável. Por incrível que pareça nos três casos relatados neste texto, os estudantes foram seus próprios algozes, eles mesmos se colocaram nessa condição.

Existem várias ferramentas à disposição do profissional de coaching que o permitem identificar e trabalhar essas questões para que o coachee consiga ser um estudante de alto rendimento.

Dessa forma, sabendo que a preocupação é algo comum a praticamente todos os estudantes e os danos que dela podem advir, deixarei algumas orientações que, por experiência como estudante, professor e coach, têm funcionado bem.

Antes de se dedicar aos estudos, dentro das possibilidades de cada um:

  1. Procure eliminar o máximo de ocupações possíveis. Por exemplo, coloque as contas no débito automático; encarregue alguém das compras e das atividades domésticas; evite se envolver em problemas pessoais alheios como os de parentes e de amigos.
  2. Ao se sentar para estudar, tente esvaziar a mente. Existem técnicas de meditação e de concentração que te auxiliarão a absorver mais conteúdo.
  3. Se identificar que está ansioso, procure o real motivo e lembre-se de que antecipar o sofrimento não o ajuda em nada, aliás, irá te atrapalhar naquele momento.
  4. Busque criar uma atmosfera harmoniosa entre o estudo e algo que te proporcione prazer. Parar de fazer tudo o que gosta pode não ser saudável e atividades prazerosas o auxiliarão na caminhada.
  5. Caso identifique que o excesso de preocupação e a ansiedade estão te atrapalhando e desencadeando reações físicas como as dos casos aqui descritos, procure ajuda profissional – para alcançar suas metas, você precisa estar mentalmente saudável.

 

REFERÊNCIAS

Freud, S. (1995). Inibições, Sintomas e Ansiedade. Em Edição Standard Brasileira das Obras Completas de Sigmund Freud (vol. 20). Rio de Janeiro: Imago.